VEGETA E A IMPORTÂNCIA DA COMUNHÃO


Hoje eu gostaria de falar sobre um dos meus personagens preferidos e como a sua história pode nos inspirar a entendermos a importância da comunhão e como devemos viver em comunidade.


DE DESTRUIDOR A PROTETOR


Vegeta é um dos principais personagens da franquia Dragon Ball, criada por Akira Toriyama em 1984. Sua primeira aparição foi no mangá de Dragon Ball Z (1988), sendo retratado como um sayajin — uma raça praticamente extinta, cujo objetivo era conquistar planetas ou destruí-los, caso os conquistados não aceitassem a dominação. Ele vai ao planeta Terra com outro sayajin, Nappa, que também é seu tutor, após a derrota de Raditz nas mãos de Son Goku, o protagonista principal e eterno rival de Vegeta. Vegeta está disposto a destruir o planeta terra e todos os seus habitantes.
    Ao chegar à Terra, Vegeta é confrontado por Goku e seus amigos. Após ser derrotado e prestes a ser morto por Kuririn, Goku pede que o deixem fugir, dizendo que Vegeta merece a mesma chance de mudança que Piccolo — outro personagem que também foi inimigo de Goku. Vegeta foge, vai se recuperar em um dos planetas controlados por Freeza — o imperador do universo, para quem trabalhava na conquista de planetas — e, uma vez recuperado, parte para o Planeta Namek. Lá, deseja obter as Esferas do Dragão daquele planeta para realizar seus próprios desejos, tornando-se então inimigo de Freeza e seus capangas. 
    Vegeta se alia a Kuririn e outros amigos de Goku, derrotando alguns subordinados de Freeza, até ser morto por ele — não sem antes salvar a vida de Gohan, filho de Goku, e pedir a este que derrotasse Freeza e vingasse a raça sayajin, pois foi o imperador quem destruiu o planeta natal dos sayajins e dizimou quase todos os seus membros. Goku cumpre esse desejo, se tornando Super Sayajin — uma forma mais poderosa da raça — e derrotando Freeza. Vegeta é revivido com as Esferas do Dragão da Terra, após ser feito o desejo de que todos que morreram na batalha contra Freeza voltassem à vida. A partir daí, ele passa a viver na Terra, não mais como um conquistador, mas como um habitante daquele lugar. E é a partir desse ponto que sua transformação começa — e é sobre essa mudança que quero comentar.

O QUE O MEIO NOS ENSINA


    Na Terra, ele começa a conviver com os humanos e com o único outro sayajin puro, Goku, aprendendo cada vez mais os valores presentes naquele ambiente: amizade, companheirismo, amor, confiança — valores que não existiam no lugar onde nasceu e cresceu. Apesar de manter traços fortes da sua personalidade, como o orgulho sayajin, a provocação constante e a grosseria, e mesmo que esses traços tenham trazido problemas, especialmente quando ele se deixou levar pelo mal (tornando-se Majin Vegeta), ainda assim, Vegeta forma uma família. Ele se casa com Bulma, amiga de infância de Goku, e tem um filho com ela chamado Trunks. Mesmo a contragosto, leva uma vida comum, influenciado por tudo que o cerca. Inclusive, mesmo dominado pelo mal, ele salva seu filho da morte e se sacrifica para tentar derrotar Majin Boo, vilão que ameaçava a Terra. Sua morte não foi suficiente para vencê-lo, mas ele retorna mais tarde para ajudar Goku a alcançar a vitória definitiva. No decorrer da série, chegando até Dragon Ball Super (2015), Vegeta se torna um pai presente, defensor da sua família, disposto a fazer o que for preciso para protegê-los e se tornar mais forte, tanto por rivalidade quanto por amor — e isso já mostra o quanto ele mudou. vegeta foi fortemente influenciado pelas pessoas ao seu redor. Ele observou como elas viviam, como interagiam, como reagiam às situações — especialmente os exemplos de seus companheiros mais próximos. E assim, passou a compreender a importância de valores que desconhecia, percebendo que eles eram mais profundos e duradouros que os valores com os quais cresceu. Isso fez dele um guerreiro mais completo, mais forte, e alguém capaz de proteger não só a si mesmo, mas também os outros. 

    Da mesma forma que Vegeta, nós também não conseguimos abandonar totalmente o pecado que habita em nós — só nos livraremos dele por completo quando deixarmos esta vida e estivermos com o nosso Senhor na glória. Mas é na convivência com outros discípulos de Cristo, no relacionamento constante com o povo de Deus, que vamos sendo moldados. É no meio do corpo de Cristo que conseguimos tratar as nossas maiores dificuldades, buscando uma vida de unidade e propósito, que glorifique ao Senhor e testemunhe ao mundo que existe um povo santo, separado e escolhido pelo próprio Deus para proclamar as boas novas e levar a salvação àqueles a quem Ele chamou. A comunhão é um meio de graça.

    Esse povo, a igreja, não é perfeito, está longe disso. Mas é um povo que reconhece sua imperfeição e luta para refletir a perfeição daquele que é perfeito — Jesus Cristo. E mesmo sabendo que essa perfeição só será plenamente alcançada no céu, já agora somos chamados a buscar crescimento, transformação e fidelidade aqui na Terra. A comunidade dos salvos não é definida por um prédio, mas por um vínculo espiritual com Cristo. A igreja verdadeira são as pessoas regeneradas, unidas pela fé, adorando a Deus seja num templo, numa casa ou debaixo de uma árvore. Desde os tempos do livro de Atos, a vida em conjunto é uma marca do povo de Deus. Atos 2:44–47 mostra que os que criam estavam juntos, tinham tudo em comum, partilhavam refeições com alegria e sinceridade de coração, e contavam com o favor do povo. 

    Um povo saudável espiritualmente é marcado pela unidade. Como disse Jesus, existe um só rebanho e um só Pastor (João 10:16). E ainda: a unidade do povo revelaria ao mundo que o Pai havia enviado o Filho (João 17:23). Essa comunhão profunda é a marca de uma congregação que honra ao Senhor. E nela somos ensinados a: amar nossos irmãos e dar a vida por eles (1 João 3:16), fazer o bem a todos, principalmente aos da fé (Gálatas 6:10), encorajar uns aos outros (Romanos 1:12), carregar os fardos uns dos outros (Gálatas 6:2), exortar e edificar (1 Tessalonicenses 5:11), confessar os pecados e orar mutuamente (Tiago 5:16).  Do mesmo modo, somos chamados a sermos referência uns para os outros (1 Pedro 2:21; Tito 2:7; 1 Timóteo 4:12; 2 Tessalonicenses 3:7; João 13:15). Sendo exemplos, influenciamos vidas e cultivamos essa comunhão tão esperada, que deve marcar os discípulos de Jesus. Toda congregação enfrentará dificuldades, porque onde há gente, há pecado. Mas, como diz Hebreus 10:25, não devemos deixar de nos reunir como povo de Deus, como é costume de alguns. Antes, devemos encorajar uns aos outros — ainda mais quando vemos que o Dia se aproxima. Não dá para crescer no conhecimento do Senhor de forma isolada. Quem nasce de novo busca estar entre os que nasceram de novo. Não porque tudo será perfeito, mas porque deseja servir a Deus como Ele quer ser servido.

    Vegeta mudou. Seus objetivos e motivações mudaram. Ele passou de vilão a herói. E toda essa mudança aconteceu porque ele estava junto com os outros Guerreiros Z, crescendo com eles — principalmente com Goku — muito mais do que teria crescido sozinho. Mesmo o mais carrancudo e o mais fechado pode ser positivamente transformado por um grupo acolhedor, onde há verdade, amor e propósito. Que estejamos inseridos em ambientes saudáveis — comunidades de fé que reconhecem a necessidade de arrependimento e que oferecem espaço seguro para confissão, onde o amor, o zelo, a confiança, o encorajamento, a edificação e a oração estejam sempre além dos 8000.

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