THE OFFICE T03E05 - "A INICIAÇÃO": QUANDO AS COISAS DÃO ERRADO


The Office é uma série televisiva de comédia em formato de pseudodocumentário exibida pela NBC. É uma adaptação da série britânica The Office da BBC, onde seus episódios retratam o cotidiano dos funcionários de uma empresa de papel, em seu escritório em Scranton, Pensilvânia, filial da empresa fictícia Dunder Mifflin Paper Company. Estreou em 24 de março de 2005 e esteve no ar até 16 de Maio de 2013, totalizando 9 temporadas e 201 episódios. A série possui vários personagens marcantes, como o gerente Michael Scott, interpretado por Steve Carrell, que acredita ser o melhor chefe do mundo, bem como o excêntrico Dwight Schrute, o sarcástico Jim Halpert, dentre outros.


UMA RELAÇÃO INUSITADA


Hoje eu gostaria de falar sobre o episódio 5, da terceira temporada, chamado “A iniciação”. O episódio tem vários núcleos, porém quero focar no núcleo do Dwight e do Ryan. O episódio começa com o Dwight fazendo várias perguntas para Ryan, o estagiário, querendo testá-lo. Ryan sabe as respostas, pelo motivo de serem perguntas triviais, e responde antes mesmo do Dwight fazer as perguntas, para a irritação do mesmo. Em outro momento, Dwight pergunta se Ryan está animado, pois aquele seria o dia em que ele sairia numa visita de venda pela primeira vez. Dwight, o melhor vendedor da empresa, estava extremamente animado, enquanto Ryan estava totalmente indiferente. No carro, Ryan estava fazendo perguntas normais sobre o que perguntar ao cliente e onde era o escritório do cliente, quando Dwight para repentinamente diz a que “quando você estiver pronto, você pode ver o escritório do cliente. A sua jornada começa agora.” A partir daí, Ryan é submetido a vários testes absurdos e esdrúxulos, como plantar uma semente de beterraba e fazer uma longa caminhada até a Fazenda Schrute, pertencente à família do Dwight. Enquanto o Dwight fala que ele está passando nos testes, o Ryan diz saber o que Dwight estava fazendo, que já esteve numa fraternidade. O Dwight então diz “o seu problema é achar que você sabe de tudo. Você tem que confiar que há outras pessoas que podem te ensinar as coisas” e então pergunta se ele está pronto para aprender e para o teste final. Ryan, sentido, acena que sim e vai junto do Dwight. Então, Dwight começa a fazer várias perguntas para o Ryan, que erra todas elas e passa para dois outros testes ainda mais bizarros, que faz o Ryan sair dali e seguir andando seu caminho longe do Dwight. Dwight vai atrás dele e eles acertam, com Dwight dizendo que fez tudo aquilo porque queria ser amigo do Ryan, antes que acabassem tendo um relacionamento como o que ele, Dwight, tem com Jim. Já acertados, Dwight, o melhor vendedor da empresa, passa todo o seu conhecimento para Ryan, que começa a anotar desesperadamente. Saindo do carro, Ryan revisa tudo o que aprendeu com o Dwight e adentram ao prédio. Após saírem do prédio, Ryan está desapontado. O cliente não gostou dele e ainda disseram isso na cara dele. Ele então diz “não entendo, não sei o que fiz de errado”. Dwight então responde: "nem tudo é uma lição, Ryan. Às vezes nós só falhamos”. Ao fim do episódio, eles participam de alguns momentos juntos, o que leva ao Dwight, que sempre chamou ele de “estagiário”, a chamá-lo pelo nome.


SOBRE CONHECIMENTO


Há algumas coisas bem interessantes neste episódio que eu gostaria de destacar, alguns momentos que gostaria de ressaltar. Começo com a sabedoria do Dwight. Por mais que ele possa parecer — e de fato seja — uma pessoa nada convencional, ele não é o melhor vendedor da loja à toa. Por mais que tenhamos afinidades com certas pessoas, o que é natural, há muitas pessoas que podem nos oferecer muitas coisas boas, pessoas que, muitas vezes, nós recusaríamos mesmo uma conversa a primeira vista, seja pelo jeito delas falarem, delas se vestirem, pelo que elas já demonstraram saber ou não. Não devemos, de maneira alguma, desprezar o que o outro tem a nos oferecer, principalmente quando achamos que temos mais a oferecer do que o outro. Isso demonstra, muitas vezes, arrogância da nossa parte. Precisamos reconhecer que não sabemos tudo e que existem pessoas que são, de fato, melhores e piores do que nós em algo que dizemos dominar. As nossas preferências não devem nos afastar um dos outros. A Igreja é um corpo, composto por muitos membros, onde todos contribuem juntamente para o bom funcionamento deste corpo. Fazendo parte de um mesmo corpo devemos, portanto, nos colocar à disposição, para ensinar e aprender, com os mais velhos, com os mais novos, com os que mais se assemelham e com os que são bem diferentes de nós. Isso é ser corpo, isso é ser igreja! Precisamos uns dos outros para crescermos em nossa caminhada cristã e jamais fazermos acepção de pessoas (Tiago 2).

Indo para o ponto dois, Ryan, impaciente com o Dwight, disse que já entendia o que Dwight estava fazendo, que replica “o seu problema é achar que você sabe de tudo. Você tem que confiar que há outras pessoas que podem te ensinar as coisas”. Não é raro acharmos que nossas experiências são as mais relevantes, as mais marcantes, as mais importantes. Muitas vezes, de fato, não queremos ouvir o que o outro tem a dizer e a ensinar por achar que já sabemos de tudo. Não se trata de escutar o outro e avaliar o que ele disse, mas sim de nem mesmo escutar, muito motivado pela nossa própria falsa percepção do que o outro tem para oferecer ou não. Sempre queremos escutar o que queremos e que os outros escutem o que temos a dizer, inconscientemente ou não. É preciso fazermos este exercício de escutar o outro, de entender o que ele quer dizer e, algumas vezes, inclusive ajudá-lo neste processo. Tiago, irmão e servo de nosso Senhor, diz que devemos ser tardios para falar e prontos para ouvir (Tiago 1). Ryan, após ouvir a repreensão do Dwight, tem a humildade de escutá-lo e de tentar entender o que ele estava querendo fazer. Que possamos ser prontos para ouvir, tardios para falar e termos a humildade de reconhecermos que não sabemos de tudo.

Após aceitar ouvir o Dwight - e passar por umas situações complicadas com ele - Ryan consegue descobrir o motivo do Dwight fazer tudo aquilo: ele queria estabelecer um relacionamento de amizade com Ryan, coisa que ele não conseguiu fazer com Jim. Aqui vemos algo muito importante. Não somos amigos se queremos tornar amigos de outras pessoas, impondo os nossos gostos, nossas preferências, sem levar em consideração o que o outro pensa ou o que o outro gosta. Dwight afastou Ryan, tentando estabelecer uma amizade colocando Ryan sobre aquilo que ele, Dwight, achava bom e interessante. É preciso conhecer o outro. É preciso saber o que agrada e o que irrita o seu irmão e estabelecer um relacionamento sincero e de confiança (Fp 2). É preciso dar o primeiro passo, sim, para buscar conhecer o seu irmão e servi-lo melhor, para ser melhor a Igreja de Deus. O que nos une é Cristo. Cristo deve ser o ponto de partida para qualquer relacionamento dentro da comunhão dos santos. A partir daí, surgem novos interesses em comum, novas amizades, que sempre são fomentadas pelo o que temos em comum, pelo o que nos une como corpo: Cristo. Esses relacionamentos são essenciais para o nosso crescimento.

Depois desse momento de desilusão com Ryan, Dwight começa, no carro, a passar toda a sua experiência para o Ryan, que se surpreende e começa a anotar tudo o que ouvia. As vezes, são situações que não esperamos, situações engraçadas, diferentes ou, até mesmo, trágicas que nos unem aqueles que possuem mais experiência que nós na caminhada ou daqueles a quem iremos discipular. Mais uma vez fica a necessidade de ouvirmos e aprendermos com o que o outro pode nos passar. Ryan via no Dwight alguém estranho e cuja presença deveria ser evitada. Foi através daquelas situações, que ele pôde saber o porquê do Dwight ser o melhor vendedor da empresa. Há pessoas em nosso meio, pessoas com mais idade, às vezes menos idade, que tem muita sabedoria, muito conhecimento, muita vida de piedade. Mas nós vemos da maneira que queremos, não da maneira que devemos ver. Precisamos sempre ter a humildade e olhar para o outro como alguém que tem algo a nos passar, principalmente alguém que, pela estrada da vida, pode nos ajudar muito no nosso relacionamento com Deus, mesmo sendo bem diferentes de nós (1 Co 12). Mais uma vez: é Cristo que nos une. Que Ele sempre seja nosso ponto em comum!


O ACERTO POR TRÁS DO ERRO


Após as instruções do Dwight, Ryan vai seguro para a venda com o cliente. Ele tinha adquirido conhecimento e sabedoria. Estava pronto, preparado e seguiu para concretizar sua primeira venda. Porém, sua venda não se concretizou. Ele volta da reunião, frustado, se questionando: “Não consigo entender. Não sei o que fiz de errado.” 

A reação do Ryan não nos é estranha. É a mesma coisa que todos nós faríamos. Afinal, estudamos, aprendemos, aplicamos aquilo que aprendemos; Buscamos conhecimento, sabedoria, comunhão com Deus e a igreja; Deixamos o nosso orgulho, aprendemos a ser humildes, a ouvir mais do que falar. Então, o que o Ryan fez de errado? A resposta é simples: nada. Ele não fez nada de errado. Ele fez o que deveria fazer e fez o certo. O Dwight, o melhor e maior vendedor da empresa, diz aquele que acabara de tentar a sua primeira venda: ás vezes, nós apenas falhamos. O vendedor mais experiente, certamente, já havia falhado várias vezes. Empregou o melhor de seus esforços, achava que aquela venda X seria sua melhor venda e, chegando lá, falhou. Às vezes, as coisas simplesmente dão errado aos nossos olhos. Às vezes, as coisas não saem como nós planejamos. Isto nos mostra, de maneira clara, que nós não temos o controle das coisas, que, muitas vezes, confiamos na nossa própria força, na nossa própria condição, no nosso próprio conhecimento e creditamos as nossas conquistas ao conjunto desses fatores. Tudo é muito bom quando vencemos. Mas e quando perdemos? E quando não conquistamos? Quem leva a culpa? Será que nos esforçamos o suficiente? Deveríamos ter ido até o fim dos nossos limites? Deveríamos ter orado mais, ter buscado mais a Deus? Relaxamos em algum momento em que poderíamos ter nos aplicado mais?


Nós sempre precisamos reconhecer algo: não temos o controle. Jesus disse que não podemos acrescentar um côvado (cerca de 50 centímentros) a nossa estatura. Tudo está debaixo da perfeita, agradável e soberana vontade de Deus. Tudo é dele, por ele e para ele. Nós fazemos parte do seu plano, daquilo que Ele traçou para acontecer, não o oposto. Quando lidamos com as vitórias, por mais que haja sim uma responsabilidade de nossa parte em nos esforçarmos para atingir o objetivo, nós só conseguimos obter estas vitórias porque Deus assim nos permitiu. Quando lidamos com as derrotas, foi Deus também que permitiu que fossemos abatidos e que não conquistassemos aquilo que tanto queríamos, fosse as nossas as melhores intenções ou não, tivessemos nós empregados o nosso maior esforço ou não. Tanto as vitórias, quanto as derrotas, têm de nos fazer enxergar a presença e glória de Deus, em todos os momentos, e a nossa dependência dele. Muitas vezes estamos focando em algo que não deveríamos estar focando. Nós não sabemos o que é, mas Deus sabe. É importante que, em tudo, o busquemos primeiro. Que falemos com Ele em oração, que busquemos o seu louvor, a sua glória em tudo. Isso não é garantia de que nós teremos o resultado esperado, mas, independente do resultado, teremos a segurança em Deus de que Ele sempre esteve e está conosco e que, em tudo aquilo que fizemos, sabemos que, ao final, tudo depende da vontade dele e é feito para a glória dele. Então não deveríamos fazer nada, uma vez que tudo depende da vontade dele? De maneira alguma! Salomão diz, no Salmo 127, que se o Senhor não guardar a cidade, o guarda vigia em vão. Há uma parte que cabe ao Senhor (soberania divina), mas há uma parte que cabe ao homem (responsabilidade humana). O guarda precisa vigiar a cidade, precisa fazer a parte dele. O próprio Cristo disse que não devemos pôr Deus à prova, nos colocando em situações em deixemos Deus fazer o que nos cabe. Nos esforçarmos, estudamos, fazemos o que deve ser feito porque isto agrada a Ele, que é diligente, zeloso, que em tudo nos deixa o exemplo. Mas devemos, sempre em oração, buscarmos fazermos a vontade de Deus - a vontade revelada em sua palavra e, ainda em oração, pedir para que sempre se cumpra aquela vontade que nos é oculta e que possamos ser usados por ele para instrumento dessa vontade.


Ao fim do episódio, Ryan e Dwight tiveram alguns momentos de amizade, que não teriam se não tivessem passado por tudo aquilo. Ryan ainda passaria por outras vendas, mas ficou aquela lição, aquele aprendizado de tudo o que aconteceu ali. Para nós, fica o mesmo. O Senhor, se assim nos permitir, sempre nos dará outras oportunidades. Que possamos nos aplicar, sempre colocando o Senhor a frente e, mesmo com uma eventual frustração, entendermos que ele permanece no controle de tudo e não esmorecemos. Continuemos sempre, buscando fazer a vontade do Senhor à todo tempo.


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