CRISTIANO RONALDO, MESSI E O RESULTADO DE TODO O TRABALHO


 

Tenho paixão por futebol e sou vascaíno (e o sentimento não pode parar — vascaínos entenderão).  Entendo pessoas que não gostam do esporte — ou do ambiente que envolve o futebol —, mas é inegável o poder e influência cultural que o futebol proporciona, não somente no Brasil, mas como no mundo todo. É um prazer inenarrável estar junto da sua torcida, torcendo pelo time que você ama, vibrando e zoando os amigos nas vitórias e fingindo não chorar nas derrotas. E é impossível não falar de futebol e não falar dos grandes protagonistas das partidas: os jogadores. Alguns ficam marcados por serem lendas. Outros por serem completamente inúteis. Uns se consagram em jogos decisivos, ficando marcados na história. Outros, cometem o pior equivoco que poderiam cometer, sendo considerados verdadeiros vilões. Pelé, Maradona, Cruyff, Puskas, Pirlo, Maldini, Khan, Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Henry, Zidane. A lista é gigantesca. Porém, como pode ser visto no título da postagem de hoje, eu quero me ater a dois jogadores: Cristiano Ronaldo e Messi. Estamos, simplesmente, falando de dois dos melhores jogadores de todos os tempos. A década de 10 foi marcada pela rivalidade amistosa entre estes dois jogadores. Seus clubes foram vencedores e ganharam títulos, eles ganharam inúmeros prêmios coletivos e individuais, além de se tornarem referência cultural ao redor do mundo.


RIVALIDADES


Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, também chamado de CR7, nasceu em 1985 e é português. É um dos maiores artilheiros do mundo — o maior artilheiro por seleções — e é multicampeão pela seleção portuguesa e por vários clubes, com destaque para o maior clube da Espanha, o Real Madrid. Possui 5 Bolas de Ouro e inúmeros títulos individuais. É conhecido pela sua capacidade atlética, suas habilidades goleadoras, sua mentalidade vencedora e persistente, sua liderança e seu desempenho sob pressão; Lionel Andrés Messi, nasceu em 1987 e é argentino. É um gênio da bola, campeão da copa do mundo pela seleção de seu país e multicampeão, tanto na argentina, como por outros clubes, com destaque para o Barcelona, o maior rival do Real Madrid. Possui 8 Bolas de Ouro e também possui inúmeros títulos individuais. É conhecido pela sua qualidade técnica, jogadas, velocidade, habilidade na perna esquerda, trabalho de equipe e vocação para o gol.

Apesar de tudo isso, eles não se consideram inimigos, somente adversários, onde um motivava o outro, indiretamente, a se superarem cada vez mais. Fora do campo, apesar de não serem amigos íntimos, possuem uma boa relação. A rivalidade dos dois se tornou uma das maiores rivalidade da história e, em nenhum outro momento, dois jogadores somente foram os protagonistas do futebol mundial por tanto tempo. O tempo deles está acabando (quando escrevo este artigo, Cristiano Ronaldo está com 39 anos e o Messi, 37) e outros jovens, como Erling Haaland e Kylian Mbappé, dentre outros, já começaram a roubar os holofotes. Além da rivalidade individual entre CR7 e Messi, havia a rivalidade dos clubes que representavam, Real Madrid e Barcelona, onde o Real Madrid representa a própria Espanha e sua soberania e o Barcelona o desejo da Catalunha — região de onde vem o clube — em se tornar independente. Isto tudo deixava a rivalidade ainda mais épica.


O TALENTO NATURAL CONTRA O TRABALHO DURO


Observando e lendo o que eu já vi e ouvi sobre os dois jogadores, há uma similaridade que parece coisa de “anime” e que se mostra presente na vida dos dois. Nos animes, sempre temos um personagem que possui um talento nato, descomunal e encanta a todos com sua habilidade. Do outro lado, temos um personagem que tudo o que conseguiu conquistar foi através de muito treinamento, foco e ele sempre precisa estar treinando para superar aquele possui talento natural. Imediatamente, me vem personagens como Goku (natural) e Vegeta (esforçado), por exemplo. 


Messi costuma ser chamado de ET, extraterrestre. Desde o início, sempre demonstrou uma habilidade desconsertante, o que só se provou conforme ele foi crescendo e jogando profissionalmente. O que Messi consegue enxergar, o que ele consegue fazer com a bola são coisas absolutamente fora do normal. Já Cristiano Ronaldo, apesar de também ter muito talento, sempre precisou fazer algo a mais, principalmente no início da carreira, onde era chamado de “cai-cai” e conhecido por driblar muito, mas não ser efetivo. Ele mudou sua postura e sua mentalidade, pois desejava, acima de tudo, ser o melhor de futebol. A partir daí, ele foi para o Real Madrid e seu pensamento e postura vencedora e obstinada, fizeram ele sempre se superar, se tornando um dos melhores e maiores exemplos de atleta de todos os tempos.


Ainda que tenhamos presenciado um verdadeiro espetáculo proporcionado por esses dois gigantes, o tempo deles passa como o de todos nós. Tanto Messi, quanto Cristiano Ronaldo, irão se aposentar e algum encerrar a carreira vitoriosa que tiveram. Por mais que haja inúmeras comparações, cada jogador era único em suas características. Mas eu gostaria de refletir sobre algo em comum que ambos possuem.


O PLACAR É UM EMPATE


Para isso, eu gostaria de trazer à lembrança um antigo rei de Israel, Salomão. Ele é conhecido pela sua grande sabedoria, mas também por escrever grande parte do livro de Provérbios e também o livro de Eclesiastes. Porém, eu gostaria de lembrar de um Salmo escrito por ele, o Salmo 127, especialmente os versículos 1 e 2:

Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ama.


Seja pelo esforço contínuo ou pelo dom natural, tudo só é possível acontecer por causa da ação soberana do Senhor. Foi Deus que deu o talento descomunal do Messi. Foi Deus que deu a força para o CR7 conseguir fazer aquele gol de bicicleta antológico com a camisa do Real. Há o esforço, o trabalho, a participação que cabe a responsabilidade humana. Porém, nada disso acontece sem que haja um Governador soberano, que conduz todas as coisas e permite ao ser humano receber uma graça, um presente, comum a todos e desfrutarem das benesses dessa graça. Não há conquista que o ser humano possa obter que não seja permitida, ordenada e guiada por Deus. Mesmo que o homem não dê glória a Deus pela conquista obtida, a verdadeira glória pertence ao único que é Glorioso e os homens serão responsáveis por não darem glória Aquele que é Digno (Rm 1.21).

Poderíamos então perguntar, no auge do nosso orgulho: Se tudo depende de Deus e só faço por causa dele, por que fazer alguma coisa? A resposta para esta pergunta é humilde e simples. Salomão nos deu a resposta no versículo mencionado ao falar do trabalho do homem, de construir a casa e de vigiar a cidade. E o próprio Salomão mostra como isso deve ser feito, em Eclesiastes 9.10:

Tudo o que vier às suas mãos para fazer, faça‑o com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.

O autor sagrado nos lembra dessa verdade: todos iremos partir algum um dia. Mas, além disso, o autor também nos exorta a nos dedicarmos, com toda força que temos, aquilo que estiver em nossas mãos para fazer. Ainda que Deus esteja no controle de todas as coisas e não precise de nada, Ele deseja a Sua glória por meio de nós e nos dá o privilégio de podermos participar dela. Temos um chamado para glorificarmos ao Senhor através de nossas vidas em resposta aos dons e talentos que Ele nos deu. Isso não é sobre nós. É sobre o próprio Deus e a maneira que Ele escolheu ser glorificado por meio das dádivas que recebemos. Alguns de nós nascemos com um talento nato para o exercício de uma determinada atividade. Outros, a adquirem por meio do esforço e do trabalho duro. Ambos são meios que Ele nos dá darmos glória a Ele.


Como cristãos, não podemos ser ignorantes aquilo que Ele nos deu para louvá-lo. Ainda que algumas habilidades sejam, aos olhos humanos, mais impressionantes ou extraordinárias que outras, todas elas foram dadas por Deus aos homens para que ele fosse glorificado. É conhecida a história do sapateiro que perguntou a Lutero “Como eu posso servir a Deus?” e obteve como resposta “Faça um bom sapato e venda-o pelo preço justo.” Mesmo que não sejamos jogadores de futebol e desempenhemos a função mais vistosa ou "glamourosa" diante da sociedade, somos chamados a glorificá-lo com o melhor que nós temos e isto começa por ser um(a) filho(a), cônjuge, genitor(a), funcionário(a), vizinho (a), etc. Tudo isso é chamado do Senhor para as nossas vidas. E não importa se nascemos com o talento natural ou se nos esforçarmos arduamente. O destino de todos nós é o mesmo, assim como o chamado também é: glorificarmos a Deus através de nossas vidas. Precisamos ser humildes para reconhecer que só podemos fazer o que podemos fazer porque Deus nos permite e ser humildes para dar o melhor que temos para louvor e glória Ele. 

O que o Cristiano Ronaldo e o Messi fizeram ficará para sempre na história, inspirando crianças, adultos, gerações. Quem os viu jogar contará a seus filhos, seus netos. Eles passarão, mas a Palavra de permanecerá para sempre. Que o exemplo desses grandes jogadores nos lembrem de louvar a Deus e agradecê-lo pela Sua soberania e glória.

Um abraço,
Dodô Ramos

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